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A mostrar mensagens de maio, 2026

Silêncio mortal

Fez, este ano, vinte anos que tive o meu cancro. Hoje, vim à revisão. Estou em frente ao IPO, porque já não se pode fumar lá dentro, nem no jardim, a fazer tempo para a consulta. Leio um livro num banco de pedra e fumo cigarros aquecidos, porque os outros já não devo.  Está sol e sombra, conforme as nuvens se movem no céu e há pombos a rodearem-me os pés na ânsia de debicarem alguma migalhinha que me caia. Mas não tenho migalhas para eles, porque leio e não como.  Não gosto de pombos, por isso, de vez em quando, mexo um pé para se afastarem. Tenho esta rotina há duas décadas. Todos os anos que aqui venho é como se nunca tivesse saído daqui. Incrível como guardamos espaços dentro de nós para estas coisas... O ritual é quase sempre o mesmo: análises, umas vezes ecografia e radiografia ou outros exames, e consulta. Tenho um penso no braço das análises que tive de pressionar durante cinco minutos, enquanto mudava de edifício. Sempre que venho tirar sangue, chego carregada com um s...