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A mostrar mensagens de dezembro, 2024

Arte

Quanto mais velha vou ficando mais valor vou dando à arte na minha vida. Tenho percebido que das coisas que me dá mais prazer é este contacto com obras de arte. Da literatura às artes visuais, passando pela música, pelo teatro, pela fotografia, cinema, e até pelo desporto (sim, também há arte no desporto) todas me preenchem de alguma forma. Contemplar a criatividade dos artistas e respirar-lhes as criações enche-me as medidas. Fico cheia por dentro. Como se me alimentassem e me preenchessem os espaços que tenho vazios, espaços vagos na alma a precisar de ocupar com ideias, peças e acontecimentos preciosos. Bebo arte pelos olhos, ouvidos, nariz e boca. Bebo arte, às vezes, até com as pontas dos dedos.  Sorvo-a, quase insaciavelmente. Porque quanto mais a consumo, mais sinto necessidade de consumir mais e mais. Talvez esteja a tornar-me numa viciada em criatividade alheia. Ou talvez esteja a fazer aquele balanço da vida (de que já falei aqui anteriormente) em que pesamos as coisas qu...

Jingle Bell

"O Natal é quando um homem quiser", dizem as más línguas. Mas o Natal também pode deixar de ser se um "homem" assim o quiser.  Eu quero. Não gosto do Natal. Aliás, detesto o Natal. Gostava que deixasse de existir. Gostava mesmo de ser eu a deixar de existir durante o Natal. Enfiar a cabeça na areia e fingir que não há Natal; que não vejo as luzes coloridas a iluminar as ruas; não oiço o Jingle Bell a toda hora; não vejo os presépios e árvores de Natal pelas janelas das casas; não vejo os presentes embrulhados em papéis foleiros, ou os pais Natal de pano pendurados nos prédios, nem as centenas de homens de barbas brancas falsas mascarados nos centros comerciais e feiras alusivas à época. Não gosto da cena religiosa, porque não gosto de religiões. Consigo vislumbrar alguma utilidade nelas para acalmar os espíritos e dar conforto às almas, mas acho-as "tóxicas" (empregando a palavra da moda). Acho que se tira muito pouco do bem que fazem às pessoas se pusermo...

Parto de luz

Há um consenso na paixão pelo pôr-do-sol. Vemos pessoas a fazer excursões às praias para o apreciar e viver o momento intensamente. Compreendo isso, também me deleito a ver o sol cair sobre as águas do mar. Há uma magia no acontecimento. Vemos o fecho do dia, e vamos ficando iluminados pela luz rosa, depois azul e, por fim, o lusco-fusco abraça-nos generosamente (adoro esta palavra "lusco-fusco"!). Sou adepta do pôr-do-sol, mas prefiro vê-lo nascer. Talvez porque na minha terra ele nasce sobre o rio, talvez porque sendo eu meia notívaga me encante da mesma forma que o pôr-do-sol encanta as pessoas que o vêem nos seus finais de dia. Talvez porque me traz uma nova esperança, uma ideia de recomeço, de renovação.  Talvez ainda porque era habitual vê-lo quando trabalhava no que realmente gosto de fazer.  Naquele tempo, terminava as minhas escritas e o sol nascia. Assim, como que a pôr um ponto final nos artigos que levava horas a redigir. Passava a noite a escrever; a elaborar tex...

Meio sonho, meio pesadelo

Esta noite sonhei que, de repente, entravas porta adentro, rasgavas-me a roupa, abraçavas-me como se o mundo estivesse todo no meu abraço, beijavas-me como se tivesses apenas um minuto para o fazer e dizias-me que a vida sem mim não fazia qualquer sentido... Sussurrasvas-me ao ouvido eternas juras de amor na linguagem que, num dia de delírios conjuntos, inventámos. Mas, de repente, enquanto ainda estava a meio deste encantamento, passaram a ser horas de levantar, lavar os dentes e ir trabalhar.  Acordei estremunhada, enrolei o meu coração sangrento em compressas esterilizadas e segui para mais um dia. Esta noite, tive um sonho. Meio sonho, meio pesadelo.

Perdida

Ando perdida e tenho tido alguma dificuldade em reencontrar-me. É como se estivesse constantemente à minha procura por becos e ruelas e me fosse escondendo a cada curva.  Há uma esquina e vejo, de relance, o meu braço que a cruza. Vejo o braço, mas não vejo mais nada. O resto do corpo já desapareceu. Por vezes, consigo vislumbrar o ombro, mas nada mais. Já fui, já passei para o outro lado da rua. Talvez isto esteja de alguma forma relacionado com a famosa meia-idade. Idade esta em que fazemos balanços do que fomos, do que ainda queremos ser e do que realmente somos, afinal. Na verdade, não sei muito bem... Não sei bem nem mal, não sei nada. As dúvidas estão centradas no que sou agora e no ainda quero vir a ser. Se é que sou e ainda virei a ser alguma coisa diferente do que fui ou do que sou, se sou... Se sou... Vivo nesta indefinição. Umas vezes parece-me que cheguei a uma conclusão, outras parece-me que está tudo ainda mais indefinido, como que enevoado, cheio de nuvens de incerte...