Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2024

Espelho da alma

É incrível como o corpo reflete as dores e os prazeres da alma. Tenho-me observado neste campo e percebido que o meu estômago se fecha cada vez que me sinto angustiada. É como se ele não tolerasse mais nada para além da angústia que me assola, como se se enchesse e alimentasse dela.  Como se dissesse, se os estômagos pudessem falar, "Já chega! Deixa-me lá tentar digerir isto. Não me dês mais porcarias porque esta angústia já me dá água pela barba". Talvez o corpo seja uma espécie de espelho da alma que nos vai mostrando quando estamos a ir longe de mais, quando estamos a seguir caminhos que lhe são insuportáveis. Ao longo da vida, o meu corpo foi-me dando sempre sinais. Ora adoecia, ora fazia-se forte para superar as dores do coração. Parece-me que se temos de ouvir o coração, também devemos ouvir o corpo. Ambos dizem-nos muitas coisas dignas de serem escutadas com atenção. O problema estará em saber quando ouvir um ou o outro. Porque não são raras as vezes que se contradizem...

Sinto muito!

Sinto muito e penso demasiado. Tento interpretar constantemente o que sinto e é aí que mora a dificuldade. É aí que travo batalhas interiores gigantes, porque o turbilhão de estímulos que o que sinto provoca causa o caos cá dentro. Sei que as novas tendências da "psicologia de pacote", aquela que nos aparece em vídeos nas redes sociais, nos vende a ideia de que o "overthinking" é mau, porque nos desconecta dos sentimentos e nos impede de desfrutar as emoções. Mas comigo não é assim. É precisamente o contrário. Porque nunca me consigo desconectar daquilo que sinto. E pensar serve (ou tenta servir) para conseguir compreender aquilo que sinto, o que nem sempre é bem sucedido. Infelizmente. No entanto, não é por pensar em demasia que deixo de sentir e seguir o que me diz o coração. Sigo-o sempre, mesmo que antes disso o tente calar. E tento, tento tanto e tantas vezes... No fim, e bem cá no fundo, sei que é ele que tem sempre razão. Porque se eu não o seguir, deixarei d...

Progresso

Temos a sensação que evoluímos muito, que as tecnologias nos vieram trazer progresso e grande desenvolvimento. No entanto, continuamos em rebanhos a caminhar para as fábricas de produção em massa. Já não produzimos maquinaria ou bugigangas, é certo. Agora produzimos clientes felizes. Construímos utilizadores bem contentinhos, a pensar que nos importamos francamente com os seus problemas.  A nós, querem-nos ovelhas que trabalhem ao ritmo da inteligência artificial, mas com sentimentos humanos. Bem empáticos, porém com o foco nas avaliações que nos irão dar pelas nossas oito horas na fábrica de satisfação do cliente (e que atentemos aos números, sempre os números que irão graduar a nossa competência). Entramos à hora certa e saímos à hora possível; preferencialmente tarde para mostrar que estamos muito concentrados no objectivo de ver o utilizador sorrir. Temos o almoço cronometrado e os minutos dos xixis contados, qual fábrica em plena revolução industrial. Cocó? Só em casa, pois de...

Poço básico

Fazem-me falta os animais.  Em tempos, tive gatos, cães e cavalos. Com a maior parte dos cães não consegui encontrar a expressão certa. Nunca nos entendemos bem, apesar de gostar muito deles. Apenas um entrou de rompante no meu peito e, acredito, eu no dele. Também tive peixes e pássaros, mas esses não me trazem qualquer saudade. Que me perdoem. Dos gatos e dos cavalos falta-me o pêlo, o cheiro, o toque. Até as lambidelas pelas línguas de lixa dos gatos me carecem. Dou-me bem com eles. Até com os desconhecidos. Somos iguais, funcionamos da mesma forma, entendemo-nos bem. Há qualquer coisa para além da linguagem na nossa comunicação. Como se houvesse muitas palavras não proferidas nos nossos olhares. Não sei explicar, mas é qualquer coisa como se lêssemos os pensamentos uns dos outros; como se, ao nos cheirarmos, olharmos, sentirmos, percebessemos tudo uns dos outros. Falamos telepaticamente, talvez, se é que isso é possível. Não acredito nestas coisas espirituais, mas, de certa for...