Espelho da alma
É incrível como o corpo reflete as dores e os prazeres da alma. Tenho-me observado neste campo e percebido que o meu estômago se fecha cada vez que me sinto angustiada. É como se ele não tolerasse mais nada para além da angústia que me assola, como se se enchesse e alimentasse dela. Como se dissesse, se os estômagos pudessem falar, "Já chega! Deixa-me lá tentar digerir isto. Não me dês mais porcarias porque esta angústia já me dá água pela barba". Talvez o corpo seja uma espécie de espelho da alma que nos vai mostrando quando estamos a ir longe de mais, quando estamos a seguir caminhos que lhe são insuportáveis. Ao longo da vida, o meu corpo foi-me dando sempre sinais. Ora adoecia, ora fazia-se forte para superar as dores do coração. Parece-me que se temos de ouvir o coração, também devemos ouvir o corpo. Ambos dizem-nos muitas coisas dignas de serem escutadas com atenção. O problema estará em saber quando ouvir um ou o outro. Porque não são raras as vezes que se contradizem...