Idiotices

A minha cabeça está toda fodida, mas tem algumas capacidades que não trocaria para que ela não fosse fodida.

De repente, está na lama, parecendo que só vai encontrar becos sem saída; que não consegue chegar a lado nenhum, apesar do esforço que emprego no pensamento. Pensa, pensa, e apenas encontra muros pela frente. Algum tempo depois, do nada, há uma luz a cintilar ao fundo, como um piscar de olho com aquele brilhozinho maroto. 

Começa a trabalhar aos solavancos, qual máquina em aquecimento. Os pensamentos vêm aos tropeções. Vêm crus, meio enublados, como uma sombra das trevas. Começam a tentar arranjar o seu espaço no meu cérebro e alojam-se  devagarinho.

É aí que brotam ideias que desejo passar para o papel. Fico a querer muito, numa urgência para começar a escrever. Os dedos mexem-se sozinhos e as mãos ficam trémulas. Os pensamentos encavalitam-se uns nos outros, gerando uma quase revolução mental.

Nem sempre consigo escrever o que penso. Geralmente não consigo. Falta-me arte e domínio da técnica. Mas esta catarse mental leva-me ao êxtase. Por momentos, sinto-me poderosa, quase invencível. Sou senhora de mim e de uma vontade incontrolável de depurar ideias, construir frases, elaborar textos. Urge transformar o abstrato em hieróglifos para depois voltarem a ser abstrações nas cabeças que os decifram.

Entusiasmo-me mais quando é a ideia que me leva. 

Começa pequenina e atabalhoada e, à medida que a vou passando para o papel, vai-se construindo. Acrescento um bocadinho aqui e ali e vislumbro-lhe forma. Como um boneco de plasticina, faço bolinhas, que rolo entre as palmas das mãos, para depois as começar a moldar e colar. 

A princípio, não se parece com nada, é apenas um ser disforme. Depois aparece-lhe algum sentido estético que me permite visualizar a história num todo cheio de pormenores. E aí, já não sou eu que a procuro, é ela que me puxa e leva a reboque. E eu vou, a flutuar, até onde a conseguir acompanhar.

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