Preconceituosa me confesso...

O título desta coisa que hoje vos escrevo é (caso ainda não tenham reparado) "Preconceituosa me confesso", no entanto vou começar este escrito informando-vos de que não sou nada preconceituosa. Contraditório, certo?

Certo! Não sou preconceituosa (agora podia continuar a escrever mais uns quantos parágrafos a dizer a mesma coisa, do tipo "o título diz que sou preconceituosa, mas eu não sou" e isto seria uma dissertação digna de valor em algumas áreas profissionais, mas não vos vou maçar com isso, porque se há coisa que respeito são as palavras, vá, e as pessoas que se dão ao trabalho de ler as minhas. E já vão perceber porquê).

Mas, voltando a este meu preconceito gingão... 

Quando me confesso preconceituosa, digo que o sou porque, tal como adoro palavras e as respeito, há algumas que me provocam urticária e, por isso, torno-me altamente preconceituosa quanto a essas palavras impronunciáveis, e só as pronuncio se cobertas por uma grande camada de escárnio e incluídas num jogo, por vezes, mortalmente sarcástico. Já ficaram com medo, certo?

E, nessas alturas, até parece que sou preconceituosa quanto às pessoas que as dizem com convicção, o que não é verdade, pois não tenho nada contra as pessoas que gostam de determinadas expressões ou as usam. Até há muitas pessoas de quem gosto muito que as usam amiúde e não as discrimino ou faço juízos de valor por isso ou quanto a isso. (Isto até parece aquela conversa do "não sou homofóbico. Até tenho muitos amigos homossexuais", não parece? Mas não é, ok?! Ok? OK?). Se observaram bem as frases anteriores, notam que o problema delas é o "até" que está ali a criar comichões várias.  

Se o "até" não estivesse ali, o sentido, especialmente o segundo sentido, seria outro e não daria pano para mangas a calorosas discussões sobre, por exemplo, a homofobia. Mas esta também é a magia, e beleza, das palavras.

Vêem como sou chata com as palavras? É por ter esta relação de amor e ódio com as palavras que detesto tanto o acordo ortográfico e a tal da linguagem "inclusiva".

Mas adiante, porque se vou por aqui este texto nunca mais acaba.

O meu problema, e preconceito, é mesmo com as palavras e frases que me provocam prurido. E acreditem que tenho uma palete delas, de todas as cores e feitios. (E de todas as orientações sexuais e identidades de género e proveniências e... etc., etc., etc... Vêem que também não sou racista, nem homofóbica, nem xenófoba, nem tenho nenhuma dessas perturbações estranhas?). 

Sou mesmo só preconceituosa com palavras que me sooam mal. Assim, sem qualquer motivo de maior relevância, sem razão aparente... Não gosto delas e provocam-me um incómodo físico, uma agonia visceral, sei lá, qualquer coisa desse género! 

Confesso até (por favor, atentem a este "até" e tirem as vossas próprias conclusões) que exerço um certo bullying sobre elas. Persigo-as por becos e ruelas só para lhes dar um enxerto de porrada. E garanto-vos que, quando as apanho, elas ficam sempre piores do que eu! 

(Mentira. Às vezes, venho com algumas mossas para casa. Ou um olho negro, ou com o nariz de lado... Mas, enfim, como diz o ditado: "quem vai à guerra, dá e leva"! E só tenho mesmo o que mereço. Quem me manda meter-me com palavras mais fortes do que eu?).

Se chegaram até aqui, podem notar que o meu preconceito confesso é apenas (atentem a este "confesso" e a este "apenas", please!) com palavras. 

Para não vos maçar mais, e para finalizar esta "coisa", quero deixar-vos um desafio [detesto a palavra "desafio" em determinados contextos, como neste por exemplo, mas achei que ficaria bem neste texto meio esquizofrénico. (Por outro lado, adoro a palavra, "esquizofrénico")]. 

Vejam lá, por favor, se o querem aceitar.

Aqui vai!

Lendo este texto descubram se:

- Tenho algum preconceito com parêntesis (esta pode ser extremamente fácil ou difícil, depende se a minha veia sarcástica pulsou, ou não, bem por aqui)

- Os "mal-fadados" adjectivos me são qual bexigas na infância 

- Os advérbios de modo são os meus maiores inimigos 

Se aceitaram o "desafio", vá, mãos à obra, encham esta caixa de comentários (tristemente vazia) com escritos tão parvos quanto este que aqui termino. No final, aviso já, que não há prémio nenhum e isto não serve para nada.

Aposto que não me batem em matéria de parvoíce! 

Vá, mas tentem, não desanimem já! 

Pode até ser divertido... Talvez... 

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