O vizinho

Oiço o vizinho ressonar. Todas as noites, o som do sono dele atravessa as paredes e invade-me o quarto. 

É quase como se estivesse aqui ao lado, paredes meias comigo. Com o que estará a sonhar, perguntou-me amiúde... 

Que aventuras, fruto da sua imaginação adormecida, o farão respirar tão ruidosamente?

Estará a escalar montanhas neste preciso momento? Ou voará pelos céus julgando-se uma águia em busca de presas? 

Fugirá, em risco de vida, de inimigos cruéis? Ou acreditará que se não chegar à superfície da água a tempo morrerá afogado?

Ou terá, apenas, o cérebro afogado num imenso vazio?

Quiçá nada disso. Dorme e pronto!

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