Tudo, ou quase tudo, de mim
Ando a ler um livro chamado "Tudo do amor" que me tem dado pontos de vista diferentes sobre o assunto.
Assunto difícil, é certo, mas muito digno de reflexão. Ainda mais observando-o sob uma perspectiva da evolução histórica tanto da sociedade, quanto das estruturas familiares e das relações.
Não sei se toda a gente tem, como eu, algumas ideias preconcebidas sobre o amor. Ideias do género: "o amor não se entende, sente-se"; "no amor vale tudo, é deixar ir e ver o que acontece"; "sentimentos não se explicam"; e por aí fora.
Se tem, este livro vem pôr em causa algumas destas ideias. Não que cheguemos à conclusão que elas estão necessariamente erradas, não estarão, de certo, em algumas situações; ou não quer dizer que, depois de lermos o livro, deixemos de acreditar nelas, mas dá -nos muito que pensar. Isso, sem dúvida.
Na verdade, muitas destas ideias que eu tinha (tenho), estão a sair reforçadas depois de ter chegado a meio do livro (no final, isto pode vir a ser alterado, mas ainda não sei. Depois direi. Ou não...), mas não deixa de ser interessante analisar como este contexto histórico influenciou a forma como vemos o amor e as relações, como estas evoluíram, mudaram para melhor nuns casos e pior noutros.
Outra coisa de que estou a gostar no livro, ou no que o livro me tem proporcionado, é a auto-análise comportamental perante as relações amorosas, passadas e presentes também.
Tenho gostado de fazer de psicóloga de mim mesma, assim, como se ler estas novas informações sobre o tema, me dessem a capacidade de olhar para mim de fora. A árdua tarefa de sair de mim e perceber, sem ser toldada pela minha visão da coisa, porque agi desta ou daquela forma em determinada situação da minha vida.
É uma espécie de auto-psicanálise, se é que isto é possível. Sinto-me a crescer no que diz respeito ao conhecimento próprio. Parece que andei anos a conviver com alguém que não conhecia assim tão bem, ou que não compreendia de todo. E agora começo a entender como funciona, ou não funciona, por vezes. E esse alguém sou eu, aquela pessoa que me acompanhou desde que saí da barriga da minha mãe até aos dias de hoje. Que foi a minha única companhia nas noites de maior solidão e que assistiu ao vivo aos melhores momentos dos meus dias.
Mas claro que esta auto-psicanálise não se deve só ao livro, claro que não. Deve-se também a algum amadurecimento, às circunstâncias da vida e das minhas relações. Mas o livro, porque fala de amor e o amor sempre foi o centro da minha vida (não este ou aquele amor, mas o amor na sua generalidade - amor amoroso, amor fraternal, amor amizade, amor pelo que fazemos, pela vida, etc.,) tem ajudado nesta leitura de mim própria, porque cientifica aquilo que nunca fui capaz de ver com olhos racionais. Porque, apesar de estar sempre a tentar, e isso é uma constante na minha vida, de racional tenho muito pouco quando o assunto é amor.