Bruxa má

Tenho uma veia maléfica que me pulsa em certos momentos.

Quando um condutor armado aos cucos acelera e apita, como se fosse dono da estrada que, com a sua pressazinha, desrespeita todos os outros, se tem de estancar a dez metros num sinal vermelho, sinto a veia latejar-me nas têmporas como se fosse explodir.

Nestas alturas, sou a bruxa da Branca de Neve, sem sequer ter de envenenar a maçã. Ela já vem com a dose de veneno certa e a Branca de Neve cai redonda à minha frente sem que eu tenha de mover uma palha.

Confesso que me deleito com estes pequenos prazeres terrorificos.

Encarnará a bruxa má em mim? Ou serei eu uma bruxa má adormecida na maior parte do tempo?

Acho bonito ver maldades e desrespeitos ripostarem em escroques. Sinto a vida ficar tão mais florida.

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