No limbo
A vida passa-nos depressa ou devagar conforme o momento que estamos a viver é bom ou mau.
Queremos prolongar os momentos bons, mas nem sempre o conseguimos. Eles são teimosamente curtos. Ainda mais quando temos consciência que irão ter um fim próximo... Tendemos ao sofrimento por antecipação, que pode ser ainda pior do que o sofrimento real. Porque nas nossas cabeças e corações pode acontecer tudo, o verdadeiro e o imaginário.
Seria mais fácil se tivéssemos uma bola de cristal que nos permitisse ver o futuro e nos desse certezas. E, no entanto, o certo pode ser tão monótono e aborrecido que adormecemos no caminho e não saboreamos o presente.
Como ficamos então?
Ficamos assim, no limbo da vida, constantemente a desejar apressar ou retardar o tempo, a querer viver ou hibernar, consoante o sofrimento aperta ou a felicidade desperta. (Olha, até rimou!) Mas o tempo é imutável e não se compadece com as nossas necessidades.
Alguns dirão felizmente, outros infelizmente, à vida ser tão somente isso: um limbo raso que vamos tentando transpor sem tocar.