De braços bem abertos

Podem passar-se séculos que um filho permanecerá um bebé aos olhos dos pais. Caber-lhes-á no colo mesmo quando já sobrar mais corpo fora do que no regaço.

A vontade de aconchegar e embalar não se perde com os anos ou o tamanho. Mas torna-se mais difícil. Porque os quereres ganham voz e os não-quereres também. 

Ficamos, assim, de braços bem abertos à espera de os envolvermos em alguém que está de partida, com pressa de chegar a outro lado que não ao nosso abraço. 

E o nosso abraço em intenção fica a libertar oxitocina para o ar, numa ânsia de chegar ao seu destino, paralisado na vontade de aninhar aquele ser que será sempre uma criança a acarinhar.

Os braços dos pais são incansáveis. Capazes de ficarem abertos eternidades à espera que os filhos venham, ajeitando a testa para o beijo de boa-noite e fazendo-se pequeninos para que os braços lhes rodeiem o corpo inteiro.

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