Poesia
E de repente, vês a poesia entrar na tua vida. Não a poesia das rimas, da métrica, ou dos versos. Mas a poesia dos sentidos.
Vês poesia em tudo o que te circunda. Está no céu azul ou cinzento, nas nuvens, no sol e na lua. Está na terra batida ou no alcatrão. Está nos animais, nas plantas e até nas pessoas. Vê só, até nas pessoas.
No fundo, ela está é em ti. Deixaste-a entrar num momento qualquer que, se calhar, nem consegues precisar e ela alojou-se em ti como se fosses a sua casa e por aí ficou, meia feita inquilina, meia senhoria.
Agora, abres os olhos ou apuras os ouvidos, inspiras na procura de novos aromas ou tocas o vazio e ela está lá. Vem de dentro para fora, por isso, pode instalar-se em tudo o que te envolve.
Às vezes, instala-se também naquilo que não queres. Mas aí, já não és tu que mandas, é ela, que agora é dona e senhora de ti.