Em ruínas
E, de repente, tudo desabou.
O que parecia uma construção maciça passou a ruínas do que fora. Os alicerces cederam, estremeceram, e as paredes começaram a dar de si.
Houve vidros que se partiram. Ouviram-se os estilhaços ao longe. Lá no outro lado do mundo. O próprio mundo ficou pequenino. Precisámos de pôr óculos de avozinha para o vermos, de tão pequenino que se tornou.
É estranho como as construções maciças, por vezes, não o são.
É estranho como o entendimento do que é uma construção maciça depende tanto de nós. Somos sempre nós que a tornamos maciça ou não. Ela nunca o é por si só. Que pena.
É verdade que a tormenta nos apanhou desprevenidos. Apanha-nos sempre assim, desacautelados, a sacana.
Às vezes pressentimo-la, mas esse pressentimento não nos protege do espanto, do medo, do estremecimento. Esse pressentimento, como todos eles enfim, não nos protege de nada. Somos sempre frágeis incapazes perante a tempestade.
A casa ainda não se desfez, é certo, mas está quase, quase a desmoronar-se. E nós, aqui em baixo, com os nossos óculos de avozinha, a vê-la pender sobre as nossas cabeças.